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Agosto/2013
Educação infantil | Edição 196
Mais vagas, menos espaços
Em busca de soluções para atender à demanda do aumento
da oferta em educação infantil, governo federal enfrenta a falta de terrenos
adequados e lança novo regime de contratação
Alexandre Facciolla
Gustavo Morita
O Brasil terá de criar seis mil novas vagas para
crianças de 1 a 3 anos até 2014
Um dos principais entraves para cumprir a
obrigatoriedade escolar dos 4 aos 17 anos, a expansão da oferta de vagas na
educação infantil passa, necessariamente, pela construção de novas escolas e
enfrenta desafios como a falta de disponibilidade de terrenos adequados em
diversos municípios. Segundo estimativas do governo, o Brasil terá de criar
seis mil novas vagas para crianças de 1 a 3 anos até 2014, meta 20% cumprida
até agora. Além disso, é preciso ampliar em 20% o atendimento das crianças de 4
a 5 anos, que deve ser universalizado até 2016, segundo meta do Plano Nacional
da Educação (PNE), ainda em tramitação no Congresso Nacional.
Para dar conta da demanda, o governo federal lançou um
novo Regime Diferenciado de Contratação (RDC), licitação aberta de outubro de
2012 a maio de 2013 prevendo um projeto piloto de escolas. Segundo o projeto, a
meta é entregar 8.685 creches até 2014.
O RDC pressupõe, entre outras coisas, um período menor
para a contratação do serviço, a construção das creches e a abertura das vagas,
no âmbito do Programa Nacional de Reestruturação e Aquisição de Equipamentos
para a Rede Escolar Pública de Educação Infantil (ProInfância). Outra novidade
é a locação de 50% dos recursos para a construção das vagas para crianças do
Bolsa Família diretamente do governo, por meio do programa Brasil Carinhoso,
com recursos provenientes do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação
Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb). Segundo o
Ministério da Educação, 894 obras estão em planejamento, 2.822 em construção,
601 com 80% já realizados e 74 canceladas.
Dificuldades
Ainda não existem creches construídas a partir do novo
modelo, sendo um projeto piloto em homologação dos primeiros registros de
preços. A partir da licitação, cabe à prefeitura da cidade entregar o terreno,
tendo em vista o planejamento em infraestrutura de água, energia e saneamento.
Para a pesquisadora da Fundação Carlos Chagas, Maria Malta Campos, ainda há
dificuldades para se consolidar o novo padrão de creches. "Existem
problemas como encontrar terrenos com as características exigidas pelo projeto
situados nos bairros com maior demanda, dificuldades burocráticas com a
assinatura dos acordos e com licitações", afirma. Algumas dessas mesmas
dificuldades foram notadas por Cleuza Repulho, presidente da União Nacional dos
Dirigentes Municipais de Educação (Undime) e secretária de Educação de São
Bernardo do Campo. Para ela, as capitais têm uma dificuldade adicional, que é o
terreno. A maioria tem pouco espaço para desapropriar e também depende do censo
populacional, que indica a necessidade específica de cada cidade. "A obra
em si é um problema", afirma, fazendo referência a uma série de possíveis
entraves às obras, como os trâmites de consultorias e construtoras.
O projeto pretende antecipar a construção das creches
de dois anos para seis meses. Além disso, leva em conta melhorar a qualidade
dos edifícios escolares com maior segurança e conforto para alunos e
professores, prevendo também a construção em larga escala e a utilização de
métodos construtivos racionalizados.
As construções serão financiadas pelo FNDE, que no
total já repassou R$ 682,9 milhões. São três diferentes editais de acordo com
as regiões do país: um para as regiões Norte e Nordeste, um para o Centro-Oeste
e, por fim, mais um para Sul e Sudeste. Cada um desses editais prevê 350
unidades, totalizando 1.050 no país. Dentre as construtoras estão envolvidas a
MVC, JGA Engenharia, Casa Alta e Construtora Ferraz. O FNDE lembra que a
universalização da educação infantil está prevista no Plano Nacional de
Educação (PNE), com o objetivo de aumentar em 50% a funcionalidade dos estudos
para crianças até 3 anos até o ano de 2020, além de expandir o acesso na faixa
etária de 4 a 5 anos até o ano de 2016. Em 2013, a previsão de recursos utilizados
é de R$ 2 bilhões.
O governo prevê a construção das creches, novo método
de contratação, melhorar a inclusão estudantil e espera aumentar em 67% o valor
destinado à merenda. Pretende-se também uma evolução educacional com o Pacto
Nacional pela Alfabetização. A licitação até maio permitiu a contratação de
3.288. São 894 obras em planejamento e 888 creches concluídas - 659 delas em
funcionamento.
Mudança Populacional
Segundo o IBGE, o número de crianças na primeira
infância matriculadas aumentou de 9,4% para 23,6% nos últimos dez anos. O
contraponto é que o aumento se intensifica no estrato social de maior poder
aquisitivo, sendo que nas classes mais baixas apenas 12,2% das crianças são
atendidas. Apesar de o índice demográfico do Brasil ter diminuído na atualidade
- 1,9 filho por mulher em 2010 - evidencia-se um aumento da demanda por vagas
em creches. Para Cleuza Repulho, "as nossas creches [de São Bernardo do
Campo] têm de ser maiores, para 450 alunos, por exemplo".
Segundo Maria Malta, o número de crianças na primeira
infância necessitando de estudos se deve ao fato de haver mudança no estilo de
vida das famílias. Ambos os pais trabalham, criam filhos sozinhos, não podem
ter babás e são estimulados pelos resultados de algumas boas creches. Para
Malta, as salas de aula são superlotadas. "Deveríamos pensar em aproveitar
essa moratória demográfica para chegar perto de uma situação que é norma em
outros países: escolas de um só turno diário, classes com menor número de
alunos, condições de trabalho melhores para os professores, com espaço para
realizarem seu planejamento, corrigir trabalhos, atender pais de alunos",
avalia.
Já para a professora de educação da Universidade
Federal do Paraná (UFPR) Catarina Moro, apesar de as projeções de entrega de
seis mil novas vagas para a pré-escola no próximo ano serem "um pouco
exageradas", ela avalia como de extrema necessidade a licitação nesses
moldes, pois traz de forma efetiva uma maneira de "acelerar a construção
dos prédios, devendo sem dúvida alguma facilitar a abertura de novas unidades
de educação infantil", afirma.
http://revistaeducacao.uol.com.br/
Não acredito que os problemas da educação seja resolvido aumentando o número de prédios escolares,antes de haver uma educação de qualidade,com professores capacitados a atender crianças que precisam além de ser alfabetizadas,educadas e bém alimentadas,pois muitas nem se alimentam em casa e vão para a escola levando tudo quanto é tipo de problemas para a escola.-
ResponderExcluirO projeto é bom e mostra a necessidade real da sociedade em relação a falta de vagas nas unidades de educação infantil, resta saber se o que esta documentado vai ser cumprido, e realmente dentro de quanto tempo? As necessidades de novas creches já são visíveis e documentadas , então que não fiquem só em papéis e que nossos governantes não se esqueçam da qualidade estrutural e educacional que esses ambientes devem ter para as crianças.
ResponderExcluirA questão da educação infantil será tema das nossas próximas aulas. Espero que possamos debater um pouco mais sobre essa reportagem que vocês encontraram.
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